Residência Universitária da UFBA será tombada

Por unanimidade, o Conselho de Patrimônio Cultural da Fundação Gregório de Matos deu parecer favorável ao tombamento da Casa Burguesa do Corredor da Vitória, que abriga a Residência Universitária masculina da UFBA.

A proposta de tombamento foi feita pela própria Universidade, que adquiriu a Casa pertencente à família do engenheiro Vilas Boas em 1956. O Dossiê de candidatura do imóvel à Patrimônio Cultural de Salvador, elaborado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e pelo Centro de Estudos da Arquitetura na Bahia, foi finalizado em setembro de 2020 e destaca:

  • “O edifício, de características burguesas, representa a forma de viver da sociedade soteropolitana, nas primeiras décadas do século XX. É ainda testemunho das transformações urbanas que ocorreram na cidade, na Primeira República, mais especificamente durante o governo de José Joaquim Seabra”.

O antigo casarão de dois andares tem projeto do arquiteto italiano Rossi Baptista e muitos de seus elementos originais ainda conversados, característicos de um período da história da arquitetura que justificam a sua preservação – bancos encrustados no jardim, porão fenestrado, frontões triangulares sobre marcações acolunadas, escadarias na entrada principal, piso em mármore.

Patrimônio sob ameaça

Um dos motivos levados em consideração para o tombamento é o alto interesse econômico que marca a região onde está situado o imóvel. No Corredor da Vitória, muitos dos exemplares característicos da arquitetura da morada nobre da primeira metade do século XX, vêm desaparecendo em função de fortes interesses imobiliários na área, segundo aponta o Dossiê:

  • “Analisando a área próxima ao edifício da Residência Universitária verificamos que os lotes vizinhos já foram modificados com a construção de dois grandes edifícios residenciais. De um lado o Edifício Mansão Phileto Sobrinho, construído após a demolição de uma casa de características ecléticas e do outro lado, a construção do Edifício Sofia Costa Pinto, que preservou a antiga residência da família, adaptando- a como portaria e salão de festas, do edifício residencial construído na parte posterior do lote”

Considerando esse cenário, o tombamento é essencial à preservação desse patrimônio, pois o artigo 15º da Lei Municipal nº 8550 de 28/01/2014 define que, “na vizinhança do bem tombado, não poderão ser efetuadas intervenções que lhe prejudiquem a visibilidade, sob pena de multa e obrigação de remover o objeto ou destruir a obra que tenha causado prejuízo”.

Para a arquiteta Lola Ribeiro, representante do IAB-BA no Conselho de Patrimônio da Fundação Gregório de Matos e uma das responsáveis pela elaboração do parecer de tombamento, a universidade tem importante papel na preservação da cultura. “É de louvar o interesse dos dirigentes da Universidade Federal da Bahia em preservar a integridade de imóveis de sua propriedade. Monumentos que representam parte da história da arquitetura das nossas cidades”, afirma.