O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) realizou na segunda-feira (29/03) a segunda edição do evento online “Conversas do Centenário” com a arquiteta Manoela Jordão(IAB-PE) e os arquitetos Luiz Antônio de Souza(IAB-BA) e Jefferson John(IAB-CE).  A apresentação foi do arquiteto Campelo Costa. conselheiro vitalício do IAB, e a mediação da arquiteta Marcela Abla, vice-presidente da Região Sudeste.

Os presidentes estaduais comentaram as metas contemporâneas do “IAB que desejamos”, destacando a aproximação com a sociedade, políticas públicas, direito à cidade, ensino e exercício profissional, defesa do patrimônio cultural e do meio ambiente, participação feminina, habitação social e assistência técnica. Quer assistir a live na íntegra? Acesse aqui

Abertura

O arquiteto Campelo Costa, conselheiro vitalício do IAB, abriu o evento resgatando a história do IAB, que para ele, desde sua fundação teve independência na sua relação com o Estado, sempre com espírito crítico e com grandes propostas para o desenvolvimento brasileiro. “O IAB teve um legado que se coloca em três patamares: como sociedade de arquitetos, na sua relação com Estado, e o IAB e a sociedade civil. Hoje, neste momento em que atravessamos, o IAB terá que no UIA apresentar como uma postura política inabalável, diante da crise humanitária e política, pois é impossível aceitar as condições atuais na vida do povo brasileiro”, destacou Campelo. Para ele, no futuro, a atuação do IAB deve fazer parte da organização da sociedade civil brasileira buscando caminhos de transformação diante desta ditadura disfarçada.

Manuela Jordão, Presidente IAB-PE

Manoela Jordão, presidente do IAB Pernambuco, começou sua fala saudando outras mulheres que presidiram o IAB de Pernambuco, como a arquiteta Sônia Marques, que assumiu o desafio em plena ditadura militar. “Hoje temos uma diretoria formada por basicamente por mulheres”, informou Manoela, citando ainda outras tantas arquitetas vitoriosas pelo Brasil. Ela contou que hoje o IAB Pernambuco se articula em redes com uma chapa de jovem, que elaborou uma carta de princípios de gestão horizontal, participativa e transparente.

“Buscamos um diálogo aberto com o corpo de associados estimulando a participação de estudantes e recém-formados, além de priorizar a participação da entidade em conselhos deliberativos, como ator que debate a cidade”. Manoela também destacou que a entidade pernambucana estimula a capacitação continuada, a assessoria técnica (ATHIS), buscando assumir um compromisso político na luta contra a desigualdade social e na preservação do patrimônio histórico. “O IAB que desejamos é uma entidade plural e democrática que possa se inserir nos debates da sociedade, não só nos saberes técnicos, promovendo o direito à cidade e a moradia”, afirmou a presidente do IAB Pernambuco.

Luiz Antônio de Souza, Presidente do IAB-BA

Luiz Antônio de Souza, presidente do IAB Bahia, fez uma contextualização sociopolítica do IAB. Ele lembrou que hoje a cidade de Salvador completa 472 anos de fundação, assim como Curitiba que também está de aniversário. No ano passado nestas comemorações, o IAB se manifestou fazendo referência a epidemia do Cólera há 166 anos. E isso é válido hoje, em 2021.

Para Luiz Antônio de Souza, as precárias condições de higiene urbana e a pobreza da população, somadas as resistências e recusas dos conselhos médicos, contribuíram para o avanço daquela epidemia. Nesta época, foi possível passar pelo surto com isolamento e melhorias sanitárias.

“Hoje, vivemos algo muito semelhante. O que observamos é um vírus que vem planejando a cidade, definindo as áreas mais afetadas e isolando a população pobre”, observou Luiz Antônio. “Temos pressa e não há tempo, pois atravessamos tempos dramáticos. O futuro exige que nos reconectemos com a sociedade. Nossa história é também a história das relações sociais”, destacou o presidente do IAB Bahia.

Jefferson John, Presidente do IAB-CE 

Jefferson John, presidente do IAB Ceará, destacou que precisamos compreender que estamos vivendo esse centenário diante de uma sociedade imediatista e qualificada no ponto de vista tecnológico. E como devemos nos posicionar nos próximos 100 anos?, refletiu. Para Jefferson, a profissão de arquiteto não é dissociada da sociedade brasileira. “Nós temos que compreender que o nosso papel é contribuir ainda mais através da força nossa capacidade técnica de transformação. Nós estamos no fundo do poço e a democracia brasileira está em xeque. Não conseguimos evoluir ainda e precisamos aprofundar esse debate no Brasil, principalmente através de um plano nacional de ações”, disse.

Para ele, é inadmissível que municípios brasileiros não saibam o que é um Plano Diretor, e pior, que ainda tenham um Plano mas não o colocam em prática. Jefferson acredita que precisamos mais do que nunca de planejamento urbano e políticas públicas para melhorar a vida das pessoas. “Os arquitetos podem contribuir para a saúde pública das pessoas, através da nossa técnica de poder transformar o tijolo e a areia, em paz, em luz, em sombra. E o poder de desenhar políticas públicas para atingir milhões de pessoas”, destacou o presidente do IAB Ceará. Para ele, o IAB nunca poderá perder o protagonismo no debate da vida brasileira, e nunca deixar de renovar-se com o engajamento de novos profissionais dentro da entidade.