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QUEM SÃO AS FORÇAS DO ATRASO?

aladilce

Por Aladilce Souza – vereadora (P C do B)                

O vereador vice-líder do governo municipal publicou um artigo no Jornal A Tarde atacando a opinião do arquiteto urbanista Carl Von Hauenschild sobre o processo de construção de uma nova lei   do PDDU. Sem argumentos capazes de rebater as questões levantadas pelo arquiteto, o legislador parte para desqualifica-lo, rotula-lo como força do atraso e manifestar postura arrogante de quem não aceita o contraditório.

A abordagem agressiva do vereador à uma opinião que questiona o modus operandi da administração municipal atual na construção das políticas públicas urbanas nos remete a um passado em que qualquer manifestação divergente à dominante era tachada de subversiva, tumultuadora, que não servia ao desenvolvimento e deveria ser afastada em nome do progresso.

O artigo produzido pelo arquiteto expressa o pensamento de cerca de 300 pessoas, entre representantes de órgãos governamentais, instituições da sociedade civil, técnicos e  professores da área de arquitetura, engenharia e urbanismo, sociólogos, lideranças políticas e membros do Ministério Público que participaram  do Colóquio realizado na UFBA  nos dias 16, 17 e 24 de julho. O evento, que contou com a produção intelectual de 35 cientistas baianos, foi ignorado pelo democrata e pelo Executivo Municipal.

As forças, desqualificadas pelo vereador como do atraso, querem a construção e a consolidação do Estado Democrático e um PDDU para Salvador onde os interesses coletivos estejam acima dos interesses de qualquer segmento econômico ou político partidário; desejam que Salvador avance rumo a um futuro onde a desigualdade social e econômica seja exterminada,  que a cidade consiga conviver com as diferenças respeitando a dignidade de todos seus cidadãos e que o direito de opinar sobre a cidade seja garantido.

A opinião do arquiteto Carl e de todas demais instituições, técnicos e professores e membros do Ministério Público Estadual não é aleatória e sem fundamento. Desde 2004, Salvador enfrenta o dilema da construção de um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano. Nesse período já tivemos duas Leis de PDDU e estamos no processo de elaboração de uma terceira, quando o estabelecido pelo Estatuto da Cidade, lei federal da política urbana, é que a revisão de um PDDU se dê após dez anos de vigência.

Todos esses processos de construção de PDDU foram alvo de críticas e questionamentos pelas mesmas forças hoje qualificadas como tumultuadores e do atraso, que na verdade são os que sempre estiveram vigilantes,  debatendo  a cidade e alertando sobre processos “armengados” de construção da legislação urbanística, devidamente  reconhecidos como tal, em decisão do Tribunal de Justiça que anulou as Leis do PDDU de 2011 e  2012 e LOUS.

Felizmente Salvador conta com arquitetos do quilate de Carl Von Hauenschild, e profissionais como:  Luis Antonio de Souza, Ana Fernandes, Ordep Serra, Heliodoro Sampaio, Paulo  Ormindo,  Hortência Pinho, Daniel Colina, Cristina Seixas, Solange Araújo, Angela Gordilho, Armando Branco, Felipe Serpa, Agostinho Muniz, Henrique Barreiros, entre outros. O debate e engajamento desses cidadãos resultou na suspensão das leis do PDDU e LOUS 2012, abrindo possibilidade para a construção de um novo processo de planejamento urbano.

A arrogância e o espírito anti-democrático não podem impedir que Salvador perca a oportunidade de escrever um novo planejamento urbano que incorpore a contribuição desses mestres e de todos aqueles comprometidos com o presente e futuro da nossa cidade.

 

 



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