Boletim Notícias



Prioridade urbanismo

Autor: Roberto Ghione

Aedes aegypti é o minúsculo e terrível vilão do Brasil que hoje se espalha pelo mundo, obrigando à Organização Mundial da Saúde a declarar estado de emergência  internacional. O mosquito transmissor da dengue, chikungunha e zika vírus, determinante da epidemia de microcefalia que condena centenas de brasileirinhos nascidos recentemente a uma vida problemática e doente, comprometida com sérios problemas neurológicos antes de ver a luz no país onde deverão viver, representa o símbolo da precariedade, da improvisação, da desigualdade e da ausência de solidariedade que envergonha e persiste a situação de subdesenvolvimento.

 

O alarme geral obriga às autoridades a tomar medidas de rigor: limpeza e tentativas de eliminação dos focos de criação do mosquito, campanhas preventivas e educativas, adaptação do sistema de saúde pública à demanda crescente e preocupante, mobilização de equipes organizadas para o combate e controle da epidemia.

 

Uma sociedade acostumada com o improviso reage, perante situações críticas, sem planejamento, sem controle da situação e sem consciência da verdadeira dimensão do desafio que se deve afrontar. De igual modo, a convivência com a precariedade transforma a improvisação em rotina, a desordem em ordem, o planejamento e a organização em novidades e exceções.

 

A circunstância crítica é difundida profusamente na mídia, porém ninguém tem se manifestado, de forma incisiva, acerca do germe do problema: a condição urbanística das cidades brasileiras.

A origem da urbanística moderna, desde o Século XIX, está baseada na procura de condições de higiene nas cidades, a fim de prever e evitar a propagação de doenças. O surgimento de epidemias em pleno Século XXI, precisamente pelas condições lamentáveis das cidades brasileiras (especialmente nas áreas periféricas), revela o descaso e o atraso cultural do país em relação ao urbanismo.

Chamado de atenção para as entidades de profissionais de arquitetura e urbanismo, não apenas para orientar às autoridades e gestores acerca da necessidade de valorizar este aspecto extremamente importante da cultura social, que redunda em qualidade de vida e prevenção de doenças, mas para conscientizar e difundir os valores do urbanismo como motor do desenvolvimento nacional. O desenvolvimento de um país passa pelo desenvolvimento urbano de suas cidades, baseado na racionalidade na ocupação do território, na diminuição das desigualdades, na qualificação do espaço construído, na integração social, na promoção da cidadania e na oferta de serviços que estimulem as oportunidades de uma vida melhor para as pessoas.

Urbanismo deve ser prioridade se a pretensão é desenvolver uma sociedade sadia, com espaços públicos organizados, higiênicos e qualificados, estimulantes da convivência civilizada. Urbanismo como prioridade deve ser objetivo central de políticas federais e gestões municipais comprometidas com um país desenvolvido, com plenas garantias de saúde, integração e civilização para todos seus cidadãos.



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