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Paulo Ormindo completa oitenta anos com homenagem na Academia de Letras da Bahia

Convite

O arquiteto e urbanista, Paulo Ormindo de Azevedo, ex-presidente do IAB-BA, comemora seus oitenta anos e recebe homenagem de importantes instituições pela sua atuação. O Instituto de Arquitetos do Brasil departamento Bahia, Academia de Letras da Bahia, Universidade Federal da Bahia e Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia realizam uma sessão especial comemorativa, no dia 16 de março, às 18h, no Palacete Góes Calmon, em Nazaré, sede da Academia de Letras da Bahia.

Paulo Ormindo ainda era um menino quando começou a se interessar pela arquitetura, inspirado pela sua mãe, arquiteta autodidata em uma família de engenheiros e militares. “Minha mãe sempre gostou de reformar e construir casas para seus empregados. Ainda criança a via encima de um andaime gravida orientando os pedreiros”, conta Ormindo. Havia também uma outra razão: seu pai, o antropólogo Thales de Azevedo. “Eu não queria fazer a profissão de meu pai, pois sabia que eu não podia me igualar a ele”, comenta.

O senso crítico o encaminhou para um outro campo da arquitetura, mais distante de incorporadores e corretores imobiliários: a preservação dos monumentos. “Fui um dos primeiros arquitetos brasileiros a fazer uma especialização e doutorado neste campo na Itália. Mas sempre me deu muito prazer fazer arquitetura contemporânea. Sem esta prática eu nunca seria um restaurador. Sempre trabalhei com arquitetura: projetando, construindo, restaurando, ensinando, dando consultoria e, inclusive, formando opinião, através de uma coluna quinzenal no Jornal A Tarde, em que trato basicamente dos problemas urbanos de Salvador”, conta Ormindo.

Nascido e criado em Salvador, Paulo Ormindo teve a oportunidade de viver três anos na Itália, seis meses em Lisboa, em Madison/Wisconsin e Cusco, Peru. “Uma coisa é viver uma cidade, outra é visitá-la como turista”, comenta. Segundo ele, o nosso patrimônio histórico é o que nos diferencia de outras cidades brasileiras e internacionais e nos cria o sentimento de pertencimento a esta terra. “Ninguém vem a Bahia para ver o La Vue ou a Mansão dos Cardeais. Eles são cópias baratas de edifícios sem caráter que existem em todo o mundo. Que praça nova nós temos que se possa comparar ao Pelourinho ou ao Campo Grande?”, questiona o arquiteto.

Autor de diversos livros, membro da Academia de Letras da Bahia, Ormindo é professor titular da UFBA, conselheiro do CAU/BA, além de ter uma importante atuação como arquiteto e pesquisador. Recentemente ele participou das articulações com arquitetos e urbanistas para realização da denúncia à Unesco sobre o abandono do Centro Histórico de Salvador. É também um dos principais pesquisadores sobre Centro Histórico, com livros publicados sobre restauração: “A Alfândega e o Mercado – Memória e Restauração” e “Estado e Sociedade na Preservação do Patrimônio”.

Confira a entrevista Ping-Pong realizada com Paulo Ormindo:

IAB-BA – Como arquiteto e urbanista qual a vivência que considera mais importante?

PO – Tive a sorte de poder viver três anos na Itália. O pais é um museu a céu aberto de história, desde as tumbas etruscas pré-históricas, passando pela Magna Grécia, monumentos romanos, bizantinos, medievais, renascentistas, barrocos, neoclássicos e contemporâneos. Ali pude sentir na pele a emoção da arquitetura, que os livros, as fotos e mesmo os vídeos não conseguem transmitir. Digo aos meus alunos que eles têm que viajar e se possível viver em países europeus de grande tradição arquitetônica. Os problemas de ontem da arquitetura, como da literatura, são os mesmos de hoje.

IAB-BA – Qual trabalho já desenvolvido que destacaria?

PO – Como arquitetura contemporânea o edifício Osorio de Carvalho no Chame-Chame e o Oikos na Pituba. Como restaurador o Mercado Modelo e Centro Cultural Danemann, em São Felix,

IAB-BA – Qual trabalho gostaria de desenvolver ou ver pronto?

PO – Tenho um projeto estruturante para a Bahia, que venho divulgando no jornal A Tarde, o Hubport de Salinas da Margarida, como terminal da Ferrovia Transcontinental, articulado, naturalmente, à Envolvente Rodoferroviária da BTS e a Fiol. Salinas pode receber navios de até 21 m. de calado em águas abrigadas, condição que nenhum outro porto brasileiro oferece. Estamos por outro lado praticamente na mesma latitude dos dois portos de chegada da Transcontinental no Pacifico: Ilo no Peru e Arica no Chile. Por aqui escoaria a produção do Chile, Peru, Equador, Bolívia e Paraguai destinada a Europa, USA e África. Espero que nossas autoridades despertem para a importância deste projeto estratégico.

IAB-BA – Qual trabalho vem sendo realizado que gostaria de destacar?

PO – Trabalho atualmente com meu sobrinho, arquiteto Sérgio Ekerman, na ampliação do museu da Santa Casa de Misericórdia da Bahia.

IAB-BA – Como avalia a atual condição do patrimônio histórico e arquitetônico de Salvador?
PO – Com grande preocupação. São 1.500 imóveis no Taboão, Praça Cairu e Pilar, prestes a ruírem podendo matar vizinhos e transeuntes. Não há nenhum plano integrado para corrigir esta situação, apenas medidas paliativas, como incentivos fiscais.

IAB-BA – Qual a importância dessa homenagem recebida?

PO – Esta homenagem é fruto da generosidade de amigos e instituições que acreditam que ainda se pode salvar esta cidade. Ela não é a um decorador de grife transformado em urbanista de ocasião, senão ao arquiteto e jornalista que luta pela preservação/modernização inteligente da cidade e não sua destruição com projetos meia-boca de empreiteiras que não sobem distinguir o que é um metrô de uma ferrovia suburbana, ou um bolívar urbano de um minhocão.



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