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Os arquitetos e urbanistas e os 468 anos de Salvador

Salvador foi inventada em Portugal já dentro de uma concepção renascentista de cidade em tabuleiro de xadrez, por um arquiteto, Miguel de Arruda, Mestre das Obras Reais, e implantada por outro arquiteto, Luis Dias. Se expandiu organicamente seguindo as cumeadas da primeira e segunda linha de colinas. Durante o período colonial arquitetos holandeses e portugueses fizeram grandes obras hidráulicas de defesa e de contenção de sua expansão. Outros arquitetos ornaram a cidade com fortalezas abaluartadas e igrejas barrocas.

Mas no início do século XX, com a chegada do carro, a cidade ficou caótica. Coube ao urbanista e engenheiro Arlindo Fragoso planejar sua expansão para o sul, ampliar o Comercio em 80 hectares e lhe dar um porto moderno. A reforma do governador J.J. Seabra não bastou, e na primeira metade da década de 1940 os urbanistas Mário Leal Ferreira e Diógenes Rebouças elaboraram, no EPUCS, o mais importante plano urbanístico de uma cidade brasileira, indicando que a cidade deveria descer para os vales. Sem recursos municipais para implantá-lo, o plano dos dois urbanistas só seria implementado, e de forma parcial, no Governo de Antônio Carlos Magalhães, quando a cidade já havia mais que duplicado. Para corrigir essas inequações foi elaborado o Plandurb, coordenado pelo arquiteto e urbanista Heliodorio Sampaio, na segunda metade da década de 1975.

Infelizmente nos últimos 40 anos, essa rica tradição de planejamento integral foi interrompida e a cidade governada pelos interesses imobiliários. O resultado disto é a cidade dividida entre pobres e ricos, violenta e congestionada que conhecemos. Não obstante isto, os arquitetos continuaram lutando para melhorar a qualidade de vida dos soteropolitanos, com equipamentos sociais como os realizados por Lelé, a restauração do seu patrimônio edificado, a requalificação de suas praças e discutindo e sugerindo o aperfeiçoamento da precária política urbana através de manifestos do IAB-BA, do CAU/BA, ações na justiça e no jornalismo especializado de alguns de seus membros, como o Arq. Paulo Ormindo de Azevedo, estre outros.

O PDDU recentemente aprovado foi elaborado em São Paulo, sem a participação dos urbanistas locais e atendendo apenas aos interesses do setor imobiliário, das empreiteiras e a exigência de ter um plano diretor, para dizer que seu, para receber repasses do Governo Federal. Documento que não se articula com o virtual plano estratégico Salvador 500, nem com o Plano Metropolitano, que ainda não foi elaborado. Obras do governo estadual e municipal não se casam, como o metrô que dividiu a cidade e acabou com um parque linear de 13 km., e os projetados BRT e VLT, inteiramente desarticulados. Falta um plano turístico, principal mola econômica da cidade, e que deveria estar articulado com o Plano de Gerenciamento Costeiro, também inexistente.

O departamento estadual do Instituto de Arquitetos do Brasil reafirma que só através de uma planificação séria e continuada urbana e territorial, que contemple todos os interesses econômicos, sociais e culturais da cidade do Salvador será possível tirá-la do estado de depressão em que se encontra. Neste sentido, cumprindo a função cidadã que sempre norteou suas ações, se põe à disposição das autoridades municipais e estaduais para colaborar com iniciativas sérias de planejamento urbano e regional.

Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento da Bahia



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