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O nobre trabalho de recuperar o patrimônio histórico baiano

Gilson Jorge

recUm dos maiores especialistas da América Latina em restauro de edifícios históricos, o arquiteto e professor baiano Mário Mendonça visitou esta semana a rampa do Mercado Modelo. A convite da Fundação Mário Leal Ferreira, ele vai elaborar um projeto de reforma que garanta os critérios do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a ao mesmo tempo garantir, com o contrato, recursos para o funcionamento das atividades do Núcleo de Tecnologia da Preservação e da Restauração (NTPR), que funciona na Escola Politécnica da Ufba.

“Damos uma certa contribuição porque a gente presta serviços à comunidade, às firmas e às pessoas que estão fazendo projetos de restauro, fazendo análises. E quando entram pequenas parcelas de recursos, compramos alguns reagentes”, afirma o professor, que no último dia 25 de janeiro recebeu do Instituto dos Arquitetos do Brasil – Secção Bahia o Prêmio Diógenes Rebouças, pelo trabalho de restauro que tem comandado.

Ex-diretor do Centro Histórico, no governo Roberto Santos (1975-1979), o arquiteto estudou restauração de monumentos na Itália e, na volta à Bahia, introduziu a fundamentação científica nas obras de restauro.

Sua atuação é dividida em duas atividades complementares. Aposentado da universidade há 20 anos, Mendonça segue dando aulas de teoria da conservação e comanda uma equipe de pesquisadores e bolsistas. Uma produção científica que gerou mais de 50 teses e dissertações desde 1986.

No plano privado, o arquiteto continua sendo requisitado Brasil afora para trabalhos de consultoria em restauro. “Eu sempre incluo minha equipe nesses projetos”. A boa fama do núcleo leva alguns estudantes de arquitetura e engenharia a trabalhar como voluntários, à espera de que surja uma vaga como bolsista.

A contribuição do NTPR inclui os projetos de restauro do Teatro Municipal de São Paulo, da Catedral de Maceió e de prédios e monumentos simbólicos de Salvador, como o Relógio de São Pedro, a Cruz do Paschoal, o Edifício Oceania e a antiga sede de A TARDE na Praça Castro Alves.

Além disso, o núcleo recebe encomendas feitas por profissionais de outros estados e países para análise de materiais que serão empregados em obras de restauro.

Graças à sua reputação, o NTPR recebe constantes visitas de estudantes e pesquisadores estrangeiros. Nesse momento, o Mestrado Profissional em Conservação e Restauro da Ufba tem uma aluna colombiana e outra peruana.

Criado em 1981, por iniciativa da Fundação Nacional Pró-memória (atual Iphan) e do próprio Mendonça.  Mas acabou virando um centro de conhecimento ligado exclusivamente à Ufba, e se tornou o primeiro e mais importante laboratório nacional de análise de materiais e técnicas de restauro, premiado por suas soluções inovadoras.

Em 2011, a Igreja de Nossa Senhora do Monte Recôncavo, em São Francisco do Conde, estava prestes a desabar quando a prefeitura optou por uma reforma emergencial. Convidada a participar do projeto, a equipe de Mendonça sugeriu o uso de um sistema de implantação de vigas, que foi premiado em 2013 pela Associação Latino Americana de Controle da Qualidade, Patologia e Recuperação das Construções (Alconpat) Internacional, com sede em Córdoba, na Argentina. A solução apontada pelo arquiteto baiano foi considerada naquele ano a maior contribuição técnico e científica para as patologias da construção civil.

Mercado Modelo

Quando começou a planejar a reforma da Praça Cayru e do entorno do Mercado Modelo, a Fundação Mário Leal Ferreira recebeu uma recomendação do Iphan de que as características da rampa não poderiam ser alteradas.

“Solicitamos a consultoria do professor Mário Mendonça, que é uma das maiores autoridades do país no assunto”, explica a presidente da FuFLMF, Tânia Scofield.

A reforma está dividida em duas partes. O projeto da Praça Cayru, após ser refeito, vai passar por uma nova licitação, que deve estar pronta no final deste semestre. “O objetivo é transformar aquela região, que tem uma das mais belas vistas da Baía de Todos-os-Santos, em uma área de contemplação”, afirma Tania. “É uma área que tem ainda o Elevador Lacerda e outros pontos de interesse, mas o Mercado Modelo vai ser protagonista”, declara. Nesse caso, ainda não há uma definição do custo da obra nem de como será feito o financiamento.

Para o projeto específico da rampa, que vai depender do relatório de Mendonça, estima-se que o documento fique pronto em 15 dias. O custo desse projeto é de R$ 445 mil e seu financiamento será feito por meio da Caixa Econômica Federal.

Recentemente, Mendonça e equipe trabalharam na recuperação da balaustrada da Praia da Paciência, no Rio Vermelho, a convite da FMLF.

Disponível em: http://atarde.uol.com.br/imoveis/noticias/1838221-o-nobre-trabalho-de-recuperar-o-patrimonio-historico-baiano



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