Boletim Notícias



O FUTURO DO IAB

É estimulante ver tantas propostas e considerações sobre o futuro do IAB, apresentadas pelo grupo do COSU – Conselho Superior do IAB. Serão por certo úteis à nova gestão.

Não obstante, gostaria de situar uma questão que me parece importante: sendo de livre associação, o IAB se funda naqueles que têm amor pela arquitetura, desejam praticá-la como profissão e acreditam que o seu ofício pode ajudar a fazer do Brasil um país melhor, mais democrático, onde os seus espaços sejam lugar para o bem-estar.

O IAB mantém-se com independência porque não se filia a partidos nem a interesses parciais. As lições de Demétrio Ribeiro e Miguel Pereira continuam válidas, para citar dois queridos mestres, ex-presidentes. É indiscutível o claro compromisso político de ambos, mas sempre pautaram as posições do IAB tendo como centro da crítica a causa da arquitetura, da cidade e do espaço brasileiro. Esse entendimento continua essencial para o futuro do IAB.

O IAB cada vez mais tem o respeito da sociedade brasileira. Prova disso é a crescente demanda em participar de conselhos municipais, estaduais e federais – onde mantém sua independência em defesa do espaço e da cultura.

A realidade do país, infelizmente, tem sido madrasta da arquitetura, da cultura arquitetônica e da profissão. A profissão indo mal, o IAB sofre consequências para além de suas próprias responsabilidades – o que não impede que sejamos críticos relação a nossos erros institucionais. Seria ótimo, mas não é factível, que o IAB congregasse todos os arquitetos brasileiros e que todos estivessem em dia com suas contribuições.

Mas é fundamental o seguinte destaque: o IAB, tão velhinha, é uma das poucas entidades da sociedade civil de prestígio que independem de fundos públicos. Ao contrário, as que têm estrutura e dinheiro e se anunciam como representação da sociedade, seja de direita ou de esquerda, em geral são fruto do Estado. Todas as entidades patronais (CNI, Fiesp – a do pato –, Firjan, Farsul, Fecomérico, etc.), todas as entidades de trabalhadores (CUT, Força e outras), todas as instituições de regulação corporativa (OAB, CFE, etc.), são fruto de decisão do Estado, que estabelece as regras a todos os seus registrados. É imposto contribuir, à entidade cabe receber.

Trata-se do velho modo patrimonialista e corporativo de organizar o país. Assim, não há como comparar o modelo do IAB com os outros, e criticar o nosso Instituto porque não tem fontes de renda efetivas.

Dizem que o IAB não pode ficar passando o pires para o CAU contribuir. Estou de pleno acordo. É preciso outra ação.

Mas isso se deve dar por atitude nossa, pública, transparente, não porque o CAU não possa ser onerado. Ao contrário, o CAU é autarquia federal, faz parte da organização administrativa do Estado. Estado que só há poucos meses passou a considerar a arquitetura como atividade cultural relevante – tal como o maracatu, a pintura, a escultura, o chimarrão.

Mas esse mesmo Estado está com suas estruturas culturais de governo sucateadas, seja no nível federal ou nas demais instâncias. Não acho descabido que o CAU, como um dos braços do Estado, e que não está, felizmente, sucateado, seja um apoiador maiúsculo das atividades culturais da arquitetura através de si próprio ou, mais propriamente, das entidades da profissão, sem que isso possa ser considerado um favor.

Enfim, o tema não é esgotável nesta mídia. Mas todos haveremos de concordar que o IAB tem sido o celeiro de quadros políticos da profissão, nestes quase cem anos de vida e de lutas. É mais uma de suas mais importantes tarefas. E é com esses quadros políticos, voluntários, que procuramos contribuir para com o nosso país.

Sérgio Magalhães

Presidente do IAB



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