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Especial Salvador – IAB-BA destaca arquitetura de referência da cidade. Confira!

salvador1Em 1840, o reverendo da Igreja Anglicana, George Edward Parker, recebeu um terreno da administração de Salvador. No campo de 37.535m², ele mandou plantar árvores. Cinquenta e cinco anos depois, o local passou a se chamar Praça Dois de Julho, quando recebeu o monumento da Independência da Bahia. Em 1997, o Largo Campo Grande ainda possuía algumas características dos tempos passados. A convite da prefeitura de Salvador, as arquitetas paisagistas Arilda Cardoso e Maria Ângela Cardoso foram responsáveis pela requalificação da praça, com o cuidado de proteger as áreas verdes e de construir bens duráveis. Durante quatro anos, as arquitetas se dedicaram a entender a dinâmica do local para modernizar sem descaracterizar. Todas as árvores foram cadastradas, cerca de 270 espécies identificadas. O novo piso foi reforçado, a calçada foi alargada para receber os camarotes durante o carnaval e um sistema de tela armáveis foi criado para proteger os canteiros. A nova praça também recebeu espaços para lazer e prática de atividade física.

 


salvador2Projeto: Condomínio Solar Itaigara
Arquiteto: Assis Reis
Ano: 1977

Por Márcia Reis

Construído no bairro litorâneo da Pituba, o edifício residencial Solar Itaigara foi projetado pelo arquiteto Assis Reis, no ano de 1977. Baiano de coração, Assis adotou a Bahia como sua terra natal e nela desenvolveu grande parte da sua obra, identificado com a forte cultura local, produzindo nessa cidade uma “arquitetura regionalista”, classificada assim por alguns críticos e historiadores.

Com uma arquitetura crítica comprometida com a história e cultura de Salvador, buscando estabelecer relações desta com o lugar, com a topografia, com o clima, Assis projetou o Solar Itaigara com a planta do pavimento tipo mais apurada do que outro edifício residencial projetado na mesma época, o Solar das Mangueiras, além dos mesmos princípios estruturais deste: estrutura em concreto armado e parâmetros externos revestidos com mosaico de vidro em cores diversas.

Sua implantação, em terreno com duas frentes voltadas para ruas locais, orientou os acessos de pessoas e veículos, dos ventos dominantes e trajetória solar, permitindo assim o melhor aproveitamento da ventilação cruzada que garantiu conforto térmico às unidades, um dos pontos fortes do projeto. Constituído de duas torres, articuladas pelo setor íntimo nos pavimentos tipos, e no alto por avarandados, se destaca na paisagem urbana por sua volumetria dinâmica e pela sutileza das nuances das cores das fachadas, uma marca na obra do arquiteto a partir da década de 70.

Na época do projeto do Solar Itaigara, morava em Salvador o pintor de descendência italiana Pancetti, conhecido do arquiteto, autor das maravilhosas pinturas do nosso litoral baiano, fonte inspiradora para a escolha das cores desse projeto. Essa arquitetura singular inerente a toda obra de Assis Reis, cheia de significados da cultura local, transformou a obra numa referência para a arquitetura contemporânea na cidade de Salvador.

 


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Projeto: Igreja do Centro Administrativo da Bahia (Capela do Lelé)

Arquiteto: João Filgueiras Lima

Ano: 1975

Por João Filgueiras Lima

O local destinado à construção da Igreja do Centro Administrativo da Bahia conserva intacta sua beleza natural característica da paisagem de Salvador. Sentimos que nos impunha preservá-la, respeitando seu relevo e sua vegetação. Com este critério foi fixado o partido do projeto. A indispensável modelação do terreno se integra a topografia existente e limita-se exclusivamente aos trechos onde se realizam as construções. Para o Estabelecimento do sistema viário foi levada em conta, ainda, a intenção de utilizar os espaços vizinhos à Igreja com áreas de lazer do Centro Administrativo. Arruamentos estreitos, pavimentados em pedras e acompanhando as curvas de nível naturais serão usados indistintamente por veículos e pedestres. Os gramados que margeiam as vias de acesso e vias secundárias, ligadas ao tronco principal, serão utilizados como áreas de estacionamento. As ruas se alargam em locais mais sombreados e aprazíveis, criando áreas de estar e descanso e servindo também para manobras de automóveis.

Assim é a Igreja que imaginamos para Salvador, cidade cuja cultura e tradição religiosa nos legaram tantas construções de grande beleza, que enriquecem e marcam nossa arquitetura. A Igreja, embora simples e singela, conserva o caráter de dignidade indispensável a um templo católico. Procuramos deliberadamente empregar técnicas contrastantes, mas seguindo um critério lógico que se ajuste à nossa ideia inicial: o terreno tratado de forma amena e natural, com muros de pedra à maneira das construções coloniais, formando um receptáculo no qual se insere uma estrutura delicada, com grandes balanços que foram especulados generosamente todas as possibilidades do concreto armado.

 


salvador4Projeto:Antiga Alfandega / Mercado Modelo

Arquiteto: André Przewpdowski

Projeto de Reforma: Paulo Ormindo

Ano: 1984

A antiga alfandega, atual Mercado Modelo, é um projeto neoclássico de autoria do arquiteto polonês André Przewpdowski (1861) . Projeto formal e estruturalmente claro, com duas filas de arco longitudinais que delimitam as circulações inferior e superior e uma transversal de amarração. No fundo uma rotunda, uma espécie de torre de comando das embarcações, com uma bela estrutura de carpintaria naval. Esta é com o cemitério da igreja do Pilar e a Associação Comercial da Bahia os três mais importantes exemplares de arquitetura neoclássica da cidade. Na contemporaneidade ele é o mais importante centro de cultura popular da Bahia e um dos monumentos mais visitados da cidade.

O arquiteto Paulo Ormindo foi o responsável pelo projeto de restauro do Mercado Modelo, em 1984-1985. “Contei com uma equipe altamente qualificada de engenheiros estruturalistas, eletricistas/iluminadores, restauradores de pedra e carpinteiros notáveis vindos de Pernambuco. Um dos pontos mais importantes foram as medidas de prevenção de incêndio. A restauração da antiga alfandega/mercado foi um dos trabalhos de restauração mais importantes feitos na Bahia que culminou com a publicação “A Alfandega e o Mercado, Memória e restauração” de minha autoria”, conta Paulo Ormindo.

Dentre os principais desafios enfrentados e êxitos alcançados no projeto de restauro, Ormindo destaca: o principal foi o tempo. “O incêndio ocorreu em janeiro e o governador João Durval Carneiro prometeu reinaugurar o mercado em 8 de dezembro, dia de sua festa. Mas não havia recursos nem para remover os escombros. Só em junho, o ministro Andreaza prometeu financiar a obra com recurso do BNH. O outro desafio era a falta de canteiro de obra. Para resolver esses dois problemas optamos por pré-fabricar as lajes de piso e a cobertura. O maior êxito foi manter o edifício como um mercado popular e não um centro cultural ou museu elitizado como queriam alguns intelectuais”, completa.

 


salvador5Projeto: Avenida de Contorno

Arquiteto: Diógenes Rebouças

Ano: 1962

Por Nivaldo Andrade

Diógenes Rebouças é o autor do traçado da Avenida de Contorno. No final dos anos 1950, Salvador vivia uma grande polêmica em função do projeto, elaborado pelo DERBA, para uma avenida ligando o Comércio ao Porto da Barra, no nível do mar. Por um lado, os sócios do Yacht Club – elite baiana – não aceitavam a interferência direta que ela causaria no clube; do outro, os intelectuais preocupados com a preservação do patrimônio temiam pela descaracterização de monumentos tombados, como o Conjunto do Unhão, que seria “atropelado” pela nova avenida: uma das pistas passaria entre o Solar do Unhão e a capela e a outra entre a capela e a encosta. Embora o solar e a capela fossem “preservados” naquele projeto, sua ambiência estaria definitivamente comprometida. É aí que Diógenes Rebouças elabora a proposta de um traçado alternativo que agrada a todos: uma sinuosa avenida, parcialmente apoiada em arcos de concreto que remetem aos arcos de pedra de sustentação da Ladeira da Montanha, em uma cota mais elevada e que iria bordejando a Bahia de Todos os Santos somente até a altura do Campo Grande, onde se encontraria com outra avenida, a ser construída no Vale do Canela. Essa solução garantiu a preservação total do Conjunto do Unhão, que, nos anos seguintes, foi transformado pela arquiteta Lina Bo Bardi em sede do Museu de Arte Moderna (e de Arte Popular). “De quebra”, o traçado concebido por Diógenes para a Avenida de Contorno nos deu uma das vistas mais lindas de Salvador: a que se tem do Comércio, Forte de São Marcelo e Península de Itapagipe quando se começa a descer a Avenida de Contorno em direção à Praça Cayru.

 


salvador6Projeto: Estação Metroviária de Brotas e do Acesso Norte

Arquiteto: Neilton Dórea

Ano: 1998

Por Neilton Dórea

Os projetos arquitetônicos de estações metroviárias têm especificidades fortes, por estarem atreladas a tecnologias, fluxos, seguranças e as dimensões previstas para os espaços e os equipamentos a serem usados (tipos de trens, fabricantes e a carga – quantidade de passageiros que conduzirá). São dados extremamente técnicos que por si só, já definem a forma (longitudinal) e a dimensão projetual. Mas não é um projeto isolado da cidade e do local. Ele é consequência (deveria ser) de diversos estudos de localização adequada, fluxos viários de acesso dos diferentes modelos de mobilidade e, principalmente, dos usuários pedestres. Não pode ser uma ilha isolada. Ao fazer estas estações acima, discuti muito com os contratantes, na época, ao não ver um pensar abrangente do elemento arquitetônico (a estação) com o resto do local e da cidade. Contestei, e me mandaram um bilhete que eu estava sendo contratado para fazer só as estações mencionadas. Ponto final.

Fiz as estações, e quase vinte anos depois, os problemas que eu levantei, não foram equacionados, ou estão sendo de modo sem pensar o conjunto total, sendo este esteticamente, tão desastroso…

Para Salvador as estações devem, e deveriam ser, simples praças cobertas com luz e ventilação natural em abundância, como a da cidade sugere e impõe. Ser um fluir informal e espontâneo, como a continuidade da rua, do bairro e da cidade. Assim elas foram pensadas em cima de estudos de localizações já sedimentados e decididos, em uma licitação anterior. Queria que os passageiros tivessem um domínio total das visuais internamente, e que a cidade invadisse, literalmente, com seu imagético o espaço das mesmas.

A transparência foi a busca. A integração, com proteção, entre os espaços internos e externos foram perseguidos, todavia deixando as condições desconfortáveis (sol inclemente, a chuva e etc.) restritas ao lado de fora. No de dentro, o acolhimento, as proteções buscadas e conquistadas pelas edificações propostas. A luz se diluindo pelas laterais, complementadas pelo o rasgo transparente no topo da cobertura, que recebeu cores fortes e marcantes, como propõe a luz de Salvador, pontuando-as e as identificando na paisagem urbana.

Internamente, os fluxos isolados em níveis diferenciados intuem a fluidez e conforto tão necessário, para o bom funcionamento deste tipo de equipamento de uso público, no qual o rápido circular é vital para segurança, continuidade e renovação constante dos usuários ao chegar de cada composição transportadora.  Piso em granito levigado, resistente e seguro para não sucumbir ao esforço mecânico tão constante e castigante do material. A estrutura aérea que suporta a cobertura, com proteção termo acústica, é simples.

Com um vão generoso, e apoiada em treliças metálicas corridas nas laterais. Não existem elementos de vedação no perímetro total, sendo esta intencional para a ventilação cortar o espaço em todos os sentidos. Foram sim, pensados avanços e balanços generosos, além dos limites do piso como salvaguarda das chuvas. Enfim, as visuais do espaço urbano penetram e atravessam a edificação, assim como os usuários desfrutam das visuais e do movimento frenético da cidade sem barreiras visuais, a não ser as extremamente necessárias para o bom funcionar do equipamento.

Quanto ao desenvolver deste tão necessário e importante meio de transporte urbano com suas edificações, os trilhos não deveriam rasgar o tecido urbano isolando e criando duas cidades. Nem criar estruturas aéreas dilacerando a imagem da cidade, da sua realidade topográfica. Haveria de ser uma arquitetura integradora e continuada. Mas, para isto o planejamento projetual deveria ser pensado inteligentemente, não açodadamente para cumprir prazo de governo e de inauguração com paternidade.

 


salvador7Projeto: Universidade Católica de Salvador

Arquiteto: Daniel Colina

Ano: 1996

Uma estrutura Mista, em concreto e aço, conforma os prédios do Centro de Ensino 2 da Universidade Católica de Salvador, projetado pelo arquiteto Daniel Colina. Situado em terreno com ampla vegetação de mata atlântica, na área do parque de Pituaçu, a solução ambiental, a topografia e a escolha da tecnologia construtiva foram condicionantes importantes do partido arquitetônico. Para viabilizar a adaptação do sítio, o arquiteto procurou evitar a volumetria uniforme desagregando-a em módulos interligados por rampas e passarelas cobertas. Na implantação, acompanhando o relevo natural do terreno, os módulos foram dispostos em diferentes níveis, a meia encosta, minimizando a área de intervenção com a redução do volume de corte e de aterro. O estacionamento foi projetado no platô, de maneira a preservar coqueiros, mangueiras e cajazeiras. O partido arquitetônico proporcionou não só a desejável funcionalidade, mas também a climatização natural e as vistas para o entorno.

A partir da experiência do projeto Centro de Estudos 1, o arquiteto procurou aprimoras as soluções desenvolvidas para reduzir o custo construtivo e, principalmente, as que permitiram atingir conforto térmico com menor custo operacional, sem recorrer à climatização artificial. Esta foi empregada apenas na área administrativa, na biblioteca e no laboratório de informática. Os espaços funcionais ficaram voltados para o nascente, permitindo melhores condições de luminosidade e de ventilação natural. O corredor entre os prédios gerou ventilação horizontal e favoreceu o conforto ambiental das salas. A cobertura foi feita de telhas galvanizadas, pré-pintadas e com tratamento de fluorcarbono. De grande durabilidade, elas foram montadas em estrutura metálica tubular, executada em aço SAC 41, de alta resistência a corrosão. A estrutura geral do prédio foi executada em concreto e recebeu módulos estruturais de aço para suporte dos componentes das chapas pré-pintadas. Segundo o arquiteto, a escolha de componentes construtivos coordenados regularmente propiciou ao projeto qualidade, rapidez de execução e baixo custo de manutenção.



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