Boletim



MOBILIDADE: é a facilidade de deslocação para outro local.

CIDADE: (Ou URBE) aglomerado humano com diversas atividades socioeconômicas variando na sua extensão física, sendo, e tendo, contudo uma entidade político-administrativa.

Dependendo das dimensões da cidade, seu processo de articulação dos seus habitantes com as suas necessidades laborais, de habitar e lazer, terão reflexos impactantes na sua qualidade de vida. Quanto maior a escala física da cidade, maior a necessidade de um planejamento abrangente, contínuo e multidisciplinar. Algo que não temos em Salvador. Cidade esta, nem diria pensada, mas executada (literalmente nos diversos sentidos) física e pontualmente, longe das necessidades dos seus habitantes. Decidida em salas, longe de discussões democráticas e pensares experientes. A mobilidade, ou o circular pela cidade, tem no seu mais primitivo procedimento: O andar. Sendo este usado para pequenos deslocamentos próximos, equacionando os diversos afazeres diários. Quando as distâncias se ampliam, diversos meios de deslocamentos são implementados. Tendo estes como transporte público, os ônibus e os trens urbanos (METRÔ). Em se falando de transporte público, que é o importante, apesar do veículo individual ainda continuar sendo o prioritário nos investimentos das cidades como Salvador que não desenvolveram uma abordagem de qualidade de vida para a sua população em geral, continuando a investir para os privilegiados econômica e socialmente, que conseguem acessos facilitados e direcionar com os gestores os investimentos para manter seus privilégios. Sejam quais forem.

Temos atualmente, em Salvador, a oportunidade de investimentos nos diversos meios de mobilidades, que poderiam transformar totalmente esta cidade, em uma cidade contemporânea. Todavia, simplesmente estamos vendo projetos diversos sendo implementados, sem terem a mínima conexão, inter-relação, ou quiçá discussão entre as partes implementadoras. Não está havendo o mínimo planejamento e entendimento entre os governos Estadual e Municipal. Salvador está tendo a implantação de um Metrô (bastante adiantado), de um projeto de VLT e vias que cortam a cidade em diversos locais, pelo governo do estado. Como também um BRT tobogã e diversas alterações na malha urbana pela prefeitura municipal. Projetos estes que caminham independentes, como assim fosse a cidade. Duas cidades diferentes: A do Governador e a do Prefeito. Ambos, simplesmente usando a cidade, e seus investimentos, como projetos políticos pessoais. Disputas de placas e paternidades em detrimento dos filhos desta. Qualquer pessoa com o mínimo discernimento, entende que os diversos meios de deslocamentos se completam. Cada um tem uma capacidade diferente de deslocamento humano, espacial e temporal. Haveria de ter planejamento e integração entre eles (estado e município), para uma perfeita fluidez, bem estar social e humano desta cidade da Bahia, como Salvador também é carinhosamente designada. O fazer a cidade funcionar beneficiando seus habitantes. Trazendo qualidade de vida ao gerar e conduzir o deslocamento necessário da sua população em menor tempo e com menores distancias. São projetos gestados em total obscurantismo. Nada de abrir as soluções antecipadamente, ao menos levando ao conhecimento dos interessados e usuários. Discutir? Nem pensar. Só o pacote pronto e fechado entre empreiteiro e gestores. Enquanto estes gestores entenderem que são mandantes onipotentes, não simples ocupantes de cargos, que foram eleitos por tempo determinado, e que devem se reportar não só aos seus eleitores, ou não, as suas metas e compromissos eleitorais, todavia mantendo estas como seu comprometimento com a população, não só com certos segmentos sociais, que indireta e de maneira escusa se relacionam, e se auto alimentam.

São projetos que impactam de modo trágico na imagem e no espaço da cidade, vendo o imediatismo e sendo qualificativamente de custos baixos, não o melhor investimento com a melhor manutenção, com prazo ampliados de qualidade de uso e amortização. Cidade dividida, política e fisicamente, tendo até um trem a rasgar seu tecido, desqualificando-a nas suas interligações física. Cidade sem preocupações estéticas e funcionais dos seus equipamentos urbanos, deveria sim com estes requalificar o viver dos seus habitantes. É só a construção e a conquista de uma cidade medida pela mediocridade dos seus gestores, pensando em soluções inadequadas para cumprir colocações de placas, inaugurações e prazos políticos. Nada de uma cidade planejada com continuidade projetual por diversas gestões. Cidade com prazo… infelizmente, já vencido. Continuando a ser a cidade de Gregório de Matos…TRISTE BAHIA…

Neilton Dórea – Vice Presidente do IAB-BA



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