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INTERVENÇÕES URBANAS

Paulo Ormindo de Azevedo

Cadê o Plano Salvador 500, de longo prazo, que deveria preceder o PDDU e o LOUOS? Sem ele, essas duas leis não trazem nenhuma luz a Salvador. É apenas a consolidação de práticas imobiliárias, como se a economia de Salvador se reduzisse a isso. Nesse vácuo, surgem projetos capengas oferecidos por empreiteiras, que são bancados pelo poder público, sem nenhuma articulação entre si, nem o crivo da cidadania. Os exemplos estão aí: um aeroclube que estolou, um parque olímpico trocado por uma arena, uma via expressa que liga o porto ao Cabula, um metrô que destruiu um parque, uma ponte que irá despejar diariamente 140 mil veículos que se destinam ao Litoral Norte, onde estão o aeroporto, as praias, o Copec, a Ford e a ligação com Sergipe, cruzando uma cidade engarrafada e numa estrada que já não atende a região metropolitana.

Circula na internet um projeto de um estacionamento público na ladeira da Barra, que já teria sido aprovado por algumas autoridades. Este é um projeto de grande impacto urbano, que não poderia ser aprovado sem um debate com a sociedade. Nos países desenvolvidos já não se permite a criação de novas vagas em áreas densamente ocupadas para não atrair mais trafego. Aqui se isenta de impostos as garagens e algumas construtoras oferecem até oito vagas por apartamento. Lá, como aqui, o estacionamento por uma hora é mais caro que uma viagem de ida e volta de uber ou taxi. O carro privado como transporte urbano morreu e só tontos não vêm.

O projeto tem a chancela do Yacht Cub da Bahia. Os que defendem o projeto dizem que ele irá beneficiar o bairro. Mas há um número expressivo de sócios que não quer pagar a conta. A diretoria acha que esta decisão não precisa passar pela assembleia, embora criar estacionamento público não seja uma atribuição do estatuto.  Melhorar a parada de ônibus é função da Prefeitura. Criar 320 vagas não vai resolver nada, mas é uma intervenção urbana que irá atrair mais trafego, impermeabilizar uma grande área verde, criar uma ilha de calor, e restringir o panorama da bela baía.

*Artigo publicado no Jornal A Tarde em 24/09/17  



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