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Concurso Baixinha – Segundo Lugar

RESUMO

 

A Baixinha de Santo Antônio é singular e ao mesmo tempo um lugar comum. Para as condições socioeconômicas, de infraestrutura de moradia, de bairro, de cidade, a proposta tem como primeiras metas: minimizar o esforço do cotidiano; alocar meios que contribuam na transformação do futuro; promover com infraestrutura e com a construção de uma visão novas dinâmicas para a economia social; dar suporte aos desejos de construção de momentos promissores; trazer a experimentação de núcleos de cidade formal para estimular o reconhecimento do que lhes garante o direito à cidade; fragilizar, com o suporte à cidadania ativa, o ciclo de condições sistêmicas que manteve esta população, por prolongado tempo histórico, em condições limitantes, árduas e aviltantes.

 

O conceito de URBETOPIA – a cidade como um lugar -, estabeleceu os valores que nortearam as escolhas da intervenção. Lugar entendido como espaço ao qual se pertence, uma marca identitária para o grupo social, o ambiente que abriga, acolhe e se estabelece como referencia positiva, para o desenvolvimento pessoal e coletivo.

 

O plano urbanístico considera que a Baixinha está sob risco, devido à sua localização estratégica, proximidade do sistema metroviário, e reurbanizá-la torna-se ação importante para fixar a população e contrapor às pressões por substituição do tecido.

 

A proposta interpreta o relevo como dois circuitos, em ferradura, que se encaixam em planos

 

distintos – cumeada e baixada –, e, pela leitura da fisionomia do relevo como uma relação espacial correspondente a uma avenida apropriada para o desfile – o circuito da baixada -, e, a arquibancada – as encostas -, a olhar, a perceber, a vigiar, a apreciar o movimento, os fluxos, os eventos, as manifestações que se desenvolvem ao longo de toda a baixada.

 

Uma conformação singular que relaciona: campos visuais, altitudes e formas do relevo.

 

A analogia com um espaço de desfile não é casual, mas inspiradora. Alimenta a construção de possibilidades futuras para atração e intercâmbio com a cidade como um todo. 1200m de baixada correspondem a 6000m2 de avenida, espaço suficiente para concentrar de 4000 a 5000 pessoas na via e mais outras tantas nos espaços de interstício das encostas.

 

Baixinha, grande avenida para o desfile das emoções, da musicalidade, da devoção,

das manifestações de cidadania ativa.

 

PROPOSTAS

• Criação de Centros de Cultura e Cidadania Ativa – CUCA.

Os equipamentos introduzem células da cidade formal e valorizam espaços educacionais, ambos têm creches no programa, uma carência fortemente reclamada:

CUCA 1 – de maior área e programa mais extenso elevará o interesse na baixada onde tem acesso principal. Acessos secundários conectam o edifício à meia encosta através de passarelas.

CUCA 2 – localizado em espaço com cobertura vegetal de porte, tem partido que permite a preservação das espécies de maior porte, um valor ambiental a preservar.

• Criação de Parques e Praças: Parque Vida Verde, Parque Linear da Baixada e o Parque Maravilha

Parque Vida Verde – propõe a recuperação ambiental da encosta, direcionada para a Agricultura Urbana e o cultivo coletivo.

Parque Linear da Baixada – a remoção das habitações em APP viabilizou a ampliação da rua dignificando a entrada e possibilitando um continum verde ao longo da via.

Parque Maravilha – amplo espaço verde, área sem delimitações claras, ressalta o potencial de ordenamento para fins de atividades físicas e lazer, com as âncoras: o campo de futebol, a urbanização de via para caminhadas, a creche e o Circo Maravilha que dá nome ao Parque.

Praça da Baixada – Associada ao CUCA 1, na área da quadra removida implantada sobre  a rede de macro drenagem, o uso indicado foi o lazer, com espaço infantil, uma quadra esportiva, espaço para uma feira da produção da cultivo local, espaço livre.

Praça da encosta – Integrando a intervenção do CUCA 2, uma praça esplanada recobre parte dos espaços que compõem este equipamento.

Posto de Saúde – Deslocado para o espaço de entrada da Baixinha, qualifica a entrada do bairro e posiciona-se equidistante na poligonal.

• Micro intervenções urbanísticas visam: a conectividade de espaços verdes; criar pontos de descanso abrigados nos percursos a pé; criar espaços de estar e lazer para convivência da vizinhança  – micro praças; abrir visuais para a paisagem, um valor ambiental a ser capturado, criando situações surpresas que marcam o deslocar, ritmando as visões seriais de travessas e caminhos.

• Intervenções construtivas que impactam nos quesitos de legibilidade e identidade do bairro.

Intervenções estratégicas de integração com a cidade aliviam o fluxo de veículos e permitem o tráfego de ônibus integrando baixada e cumeada. A mobilidade e acessibilidade foram alcançadas pela integração dos equipamentos com planos inclinados e rotas acessíveis à meia encosta: via de serviço e caminho de pedestres, ambas integradas aos ascensores.

O plano de habitação contempla todas as unidades removidas por critério de risco e incompatibilidade com a legislação ambiental. O padrão habitacional oferece com simplicidade estrutural opções de plantas – do studio ao apartamento de 3 quartos – numa composição de linhas fragmentadas que dialogam com o tecido urbano característico das ocupações urbanas informais. Rompe-se com o tradicional edifício popular com vantagens: as escadas externas aos blocos proporcionam acesso em níveis variados, reduzem custos de construção e na confluência podem justificar ascensores para coletivo de blocos. Os blocos habitacionais e demais edificações comunitárias constroem também espaços públicos: galerias, conexões entre edifícios, praças, praça/esplanada, mall, numa integração de funções e de espaços.

O plano ambiental centra no Programa de Captura de Valores Ambientais: a água pluvial, a compostagem de resíduos orgânicos e a agricultura urbana no viés do paisagismo de cultivo coletivo, transformando-os em bens econômicos em benefício direto às famílias, ao bairro e à cidade.

 

Proposta Ma. das Graças B. Gondim dos Santos Pereira

 



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