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Avenida Sete de Setembro: artéria para uma cidade ideal

Foto Arestides Batista I Acervo A Tarde

Foto Arestides Batista I Acervo A Tarde

Matéria escrita pelo jornalista Luis Fernando Lisboa e publicada pelo Jornal A Tarde em 06 de setembro de 2015

A extensão da Avenida Sete de Setembro guarda histórias centenárias. Inaugurada exatamente no dia 7 de setembro de 1915 pelo então governador da Bahia J. J. Seabra (1815-1942), ela representa o desejo do gestor de incluir Salvador na onda de modernização do País.

O historiador e poeta Fernando da Rocha Peres, autor do livro Memória da Sé, conta que o ambicioso projeto original  ia do Farol da Barra até o bairro de Água de Meninos.

“Estava na programação a derrubada do Mosteiro de São Bento, do bairro da Sé, da Faculdade de Medicina, de uma parte do Pelourinho em direção à ladeira de Água Brusca para atingir a Cidade Baixa”.

Solange Araújo, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento da Bahia (IAB-Ba), afirma que o início do século 20 é marcado pelo discurso de salubridade, fluidez e beleza, resultando  no chamado urbanismo demolidor.

“Esse argumento de higienização esteve presente no Brasil desde o século 19 e  ganhou força por aqui nas três primeiras décadas do século 20. O desejo era a construção de uma cidade ideal sobre a matriz orgânica colonial”, explica a doutora.

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Símbolos culturais

Ao longo dos seus 4,6 quilômetros, a Avenida Sete congrega múltiplos perfis. Para Nivaldo Andrade, arquiteto e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), toda a sua extensão representa manifestações arquitetônicas e culturais de diversos períodos da capital baiana.

“O Teatro São João, por exemplo, era um dos mais antigos do País e estava instalado no início da Avenida Sete, na Praça Castro Alves”, diz. A estrutura data de 1808, mas foi destruída em 1923 por um incêndio.

Ele esclarece que o Teatro Castro Alves (TCA), construído há 48 anos, não faz parte da grande avenida, mas integra essa articulação de equipamentos culturais da região.

“Outra construção importante é o edifício da Fundação Politécnica. Um marco da arquitetura moderna. É um prédio gigante com duas torres que atravessa a Carlos Gomes até a Avenida Sete”, conta Nivaldo.

Se hoje uma boa parte dos equipamentos culturais do centro estão reunidos na área do Corredor da Vitória, nem sempre foi assim.  O arquiteto Francisco Senna aponta que  o  lugar tinha  perfil principalmente residencial.

Além disso, Francisco destaca que o Corredor da Vitória reunia agremiações e clubes, como o Clube do Caixeiro, Clube Euterpe, Yacht Clube da Bahia e o Clube Cruz Vermelha (Campo Grande). O Clube Espanhol também já esteve no local.

“Hoje, o Corredor da Vitória é um corredor cultural e abriga grandes museus da cidade, como o Museu de Arte da Bahia (MAB), o Museu Carlos Costa Pinto e o Museu Geológico da Bahia. Ali também estão entidades culturais relevantes como o Icba, Acbeu e Aliança Francesa”, afirma.

O Palacete das Artes não está exatamente na Avenida Sete, mas é um exemplo da presença dos italianos na arquitetura da Bahia.

“Ele é  um dos  edifícios particulares fabulosos que foram instalados na região do Corredor da Vitória. O Palacete era a mansão do Comendador Bernardo Martins Catharino, conhecida como Villa Catharino”.

Segundo Nivaldo, com  o passar do tempo a Avenida Sete passou a ter o solo urbano mais valorizado de Salvador para residências, principalmente, e para um comércio de elite. No entanto, ele destaca que gradativamente o seu boom acaba e começa o período de declínio.

“Não existem mais novas construções importantes depois da década de 1970 porque ela perde  força, embora continue com uma dinâmica de circulação considerável por conta da proximidade com a Estação da Lapa, construída na década de 1980”.



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