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Artigo: Existe um estilo Lina Bo Bardi?

Por Susana Olmos

 

Viktor Sklowski2 define a Arte, como aquela capaz de produzir o estranhamento que, rompendo o véu do nosso olhar cotidiano distraído, provoca o tempo de demora que lhe dá razão de ser… Associando esta ideia de arte ao aqui e agora deste encontro, onde diversos olhares re/a/presentam Lina, fiz um exercício de retorno a sua obra. Intento deixar aqui rastros disso, sem pretensão de inovar ex nihilo.

 

O que vi em Lina, que não tinha percebido…Procurei, na arquitetura de Lina, sua poética, intentando não interpor na leitura os meus pré-conceitos do que seja beleza ou pertinência. Busquei em Lina a poetisa por acreditar que seja própria dos poetas a capacidade de criar suas próprias regras. Na fala de Maiakóvski:

 

“Eu não forneço nenhuma regra para que uma pessoa se torne poeta e escreva versos… em geral, tais regras não existem. Chama-se poeta justamente o homem que cria estas regras poéticas.” 3

 

Neste olhar entendi que a arquitetura de Lina dá régua e compasso ao entorno social e incorpora ao familiar essa densidade temporal que pode torná-lo universal… É esta densidade que a cultura humana, qualquer uma, implica, contaminando um entorno físico que assim adquire transcendência.

A história de Lina é a da Segunda Guerra Mundial e sua fúria destrutiva do entorno social e familiar onde altera, em ruas e casas, o comer e o dormir; o amar, brincar e trabalhar; o viver e o morrer.

 

A história de Lina é também a da sua vinda ao Brasil e da sua chegada à Bahia e ao nordeste brasileiro: o novo contexto inaugura um novo olhar em Lina, que só pode ser de genuíno estranhamento: por esse filtro ela descobre e valoriza eventos e coisas que no cotidiano do brasileiro pouco ou nada são percebidos. Qual o impacto que esse choque cultural iria produzir na sua atividade como arquiteta?.

 

Confira artigo completo aqui. Existe um estilo Lina Bo Bardi?

 

1 Este texto, com algumas modificações, foi base de palestra proferida no MAM, Museu de Arte Moderna da Bahia, por ocasião do Seminário “”Centenário Lina Bo Bardi – tempos vivos de uma arquitetura”, 03 a 05 de dezembro de 2014.

2 SKLOVSKIJ, Viktor. “L’Arte come procedimento” (TODOROV, Tzvetan, org.) in: I Formalisti russi. Teoria della letteratura e método crítico.1968.

3 Maiakóvski, tradução de Boris Schnaiderman in Semcolirio.wordpress.com/2011/06/02/a-poetica-do-estranhamento. Consulta em 10/11/2014.

 

 

Susana Olmos, março de 2015. direitos autorais reservados.

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